
O presidente da Associação Guineense de Solidariedade Social (Aguinenso) acredita que a única saída para a Guiné-Bissau será uma coordenação das Nações Unidas durante uma década que afaste os “parasitas” e oriente as áreas fundamentais do país.
Em declarações à agência Lusa, João Tatis Sá lamentou as “situações bastante desagradáveis” que têm acontecido neste país da África Ocidental que passa por outra crise política no seguimento das últimas eleições presidenciais de 29 de dezembro.
Para o presidente da Aguinenso, a responsabilidade da situação reside nos “esfomeados, que vivem pendurados no Estado”.
Sobre o último ato eleitoral, João Tatis Sá mostra-se inclinado para uma fraude e aponta o dedo à Comissão Nacional de Eleições (CNE) que, na sua opinião, “tem de fazer cumprir o que o Tribunal decidiu e não tentar satisfazer os desvarios de quem quer que seja”.
Os resultados eleitorais são contestados na justiça por Domingos Simões Pereira, candidato declarado pela CNE como derrotado por Umaro Sissoco Embaló, que já avisou que vai tomar posse, com ou sem o consentimento do presidente do Parlamento, no dia 27 de fevereiro.
“Queremos tranquilidade. É preciso reagir e dizer que basta. Queremos ordem. As regras têm de ser cumpridas. Isto não beneficia nada a Guiné-Bissau”, prosseguiu.
Para João Tatis Sá, a solução passa por a Guiné-Bissau ser coordenada pelas Nações Unidas, durante uma década, a pedido das organizações que têm apoiado este Estado, nomeadamente a União Africana (UA), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
“Chegou o momento de solicitar ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e a mais outros elementos das Nações Unidas uma oportunidade para que o país seja orientado” por esta organização, defendeu.
Uma das ideias que o também líder do Partido Popular Guineense (PPG, sem assento parlamentar) preconiza é a nomeação de um comissário da ONU que presida a essa coordenação e que poderá ajudar o Governo a funcionar.
“Atualmente, o país não tem uma orientação, os professores não são respeitados, os funcionários não têm capacidade financeira, é uma anarquia total”, disse o ex-candidato às presidenciais guineenses em 2005, mostrando-se crente de que ao fim de 10 anos sob esta orientação, a Guiné-Bissau terá gente capaz em áreas determinantes como a educação, a saúde e as instituições.
E acrescentou: “Tendo os mecanismos a funcionar e o país estabilizado, teremos uma geração que poderá fazer o país andar para a frente”.