
O candidato declarado vencedor das eleições presidências da Guiné-Bissau pela Comissão Nacional de Eleições(CNE), Umaro Sissoco Embaló, anunciou que vai tomar posse no dia de 27 do mês em curso, com ou sem o consentimento do presidente do Parlamento, Cipriano Cassama e o Supremo Tribunal de Justiça(STJ).
“Quem não sabe na Guiné-Bissau que eu sou o vencedor das eleições presidências? por isso, anuncio aqui que vou tomar posse como próximo Chefe de Estado no dia 27 de fevereiro, com ou sem consentimento de Cipriano Cassamá e o Supremo Tribunal de Justiça”, afirmou Umaro Sissoco Embaló.
Sissoco Embaló falava, esta quinta-feira, 06 de fevereiro, à imprensa no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira em Bissau de regresso ao país, após o seu périplo por alguns países, incluindo a República Democrática de Congo.
Embaló diz que, caso persistir o bloqueio do presidente do Parlamento guineense, Cipriano Cassama, os dois vice-presidentes do hemiciclo, Nuno Gomes Nabiam e Satú Camara, respetivamente assumirão a responsabilidade de dar posse ao candidato declarado vencedor em qualquer sitio da Guiné-Bissau.
Embora reconheça que o processo eleitoral está na instancia judicial, que é o STJ, o candidato declarado vendedor do escrutínio pela CNE afirma que, as vezes, é preciso fazer uma guerra no sentido de trazer a paz definitiva para a Guiné-Bissau, numa alusão a nova crise política, após a publicação dos resultados eleitorais.
Recebido por um grupo dos dirigentes do seu partido, o Movimento para Alternância Democrática Madem G-15, Sissoco Embaló transmitiu aos jornalistas que irá representar a Guiné-Bissau na 33.ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo, marcada para domingo e segunda-feira, em Adis Abeba, Etiópia.
No que se refere ao aspecto ligado a governação, Embaló criticou o primeiro-ministro, Aristides Gomes, e disse ao chefe do executivo que não tem competência de fazer a mudança no Ministério dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades, após o pedido da demissão de Suzi Barbosa.
Nesta senda, Embaló instou aos embaixadores guineenses a não acatarem qualquer decisão do novo titular da diplomacia, Ruth Monteiro, nos próximos dias.
De referir que A ministra dos Negócios Estrangeiros, Suzi Barbosa, apresentou o seu pedido de demissão no mês passado, alegando questões pessoais e políticas, depois ter viajado sem autorização do Governo com Umaro Sissoco Embaló.
A CNE deu a vitória ao candidato apoiado Madem G-15, Umaro Sissoco Embaló, com 53,55% de votos, tendo Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), obtido 46,45% dos votos, o que motivou um recurso ao STJ.
Na quarta-feira, a equipa jurídica de Simões Pereira entrou com um recurso no Supremo pedindo a anulação das eleições, alegando irregularidades no processo e fraude.
O Supremo ainda não se pronunciou sobre o pedido.